As Redes Sociais nas tragédias
segunda-feira, abril 12th, 2010Sobre uma colina ao lado da capital Porto Príncipe, uma haitiana olha consternada para a cidade sobre a qual uma nuvem de poeira cinza e grossa se ergue após o terremoto. A imagem de vídeo amador, feita por ela com um telefone celular, treme, enquanto a autora do vídeo grita: “Isso é o fim do mundo!”.
No Chile um jovem – que recebera há alguns meses uma “reciclagem” do treinamento para enfrentar terremotos – assiste ao vídeo no Youtube. Em seguida os tremores que atingem a sua região o deixam sem luz, sem telefone, sem internet.
Passivo e alheio, o carioca observava estas duas situações. Então pega a prancha, vai à praia, depois posta as fotos no Flickr e combinava a balada via Twitter. O que ele não podia imaginar é que não passaria isento aos acontecimentos. Logo as chuvas torrenciais do Rio de Janeiro o colocariam em posição de destaque dentre os atingidos por catástrofes naturais.
E assim, de onde viria a cobertura mais realista? Por onde fluiriam as informações realmente relevantes? Quem retrataria a situação daqueles que estão no olho do furacão (ainda que o problema seja de chuvas e não vento)? Quem ferramente poderá unir quem quer e pode ajudar àqueles que precisam de ajuda?
As Redes Sociais.
Durante os dias que se seguiram ao terremoto, a internet foi a principal ligação com a terra natal de milhões de exilados haitianos. Foi por meio dela que procuraram saber se amigos, parentes e conhecidos haviam sobrevivido à tragédia. Mas ela também é usada pelas pessoas que moram no Haiti: por meio do serviço de microblog Twitter são trocadas informações. “O hospital francês na rua Marcadieux Bourdon está aberto”, escreve um certo Frederic Dupoux. Já Carel Pedre envia a mensagem: “Uma garota está viva sob os escombros. Rua Amiral Nr. 8, ligue para 509.3508.2789. Precisamos de ajuda!”.
Em terras tupiniquins, o caos que vive o Rio de Janeiro por causa das chuvas foi e ainda é um dos temas mais
comentados nesta semana nas redes sociais.
O twitter se destacou com criação profiles que atualizam as informações sobre as vítimas, o estado de calamidade, pedem auxílio e fazem campanhas solidárias.
Sob os tópicos “chuvasnorio”, “caosnorio”, “chuvarj” etc. centenas de brasileiros comentam a situação no estado e mostram compaixão pelas pessoas atingidas.
Artistas e outras personalidades públicas estão demonstrando o sentimento de tristeza e também tentando colaborar. Alguns pedem ajuda aos fãs para que enviem donativos – alimentos, cobertores, agasalhos entre outras formas de contribuição – para as pessoas que estão sofrendo com a catástrofe.

A publicitária Cristiana Soares faz exatamente isso com o Projeto Enchentes, iniciativa 2.0 surgida após os desastres provocados pelas chuvas no início do ano. Cris acompanhava os lamentos no Twitter e começou a convocar colaboradores para uma iniciativa mais concreta. Hoje, o projeto já tem um site com mapas com áreas de risco, locais de doações, serviços e notícias. Embora tenha surgido em uma emergência, a ideia é que seja permanente e vá além da comoção pós-tragédia.
Com informações http://www.mobwebmarketing.com.br/redes-sociais-servem-de-apoio-em-tragedias/ http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=pt-br/node/6573 http://sociedadesvirtuais4.blogspot.com/2010/04/catastrofe-no-rj-vira-assunto-principal.html http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5155430,00.html