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Os Blogs e a construção coletiva

sexta-feira, março 19th, 2010

Alex Primo disse ontem em seu “Dossiê” que um blog, ainda que individual é sempre um texto coletivo. Concordo plenamente. Todavia, o que dizer do texto derivado da replicação dos posts em outros blogs, com pequenos acrescimos ou omissões, com adição de ainda mais comentários, com vieses diferenciados.

Será que com um texto construído coletivamente chegaremos mais perto das multidões sábias? Assim se espera.

Reproduzo a seguir o posto de Alex Primo e recomendo que visitem o blog.

O blog individual é sempre um texto coletivo

Quem são os autores de um blog individual? Antes de responder a frase anterior é preciso observar uma potencial contradição na formulação da frase: se o blog é individual, por que usar sujeito e verbo no plural? É justamente esse recurso retórico que nos faz pensar sobre o impacto dos comentários na constituição de um blog como um texto.

Assim que se abre o espaço para comentários, o blog passa a receber contribuições de terceiros (conhecidos ou não do blogueiro). Tais falas normalmente reagem ao que diz o post. Nestes casos, procuram estabelecer uma conversação com o “dono” do blog. Este, por sua vez, tem o poder de moderar, editar e/ou apagar os comentários recebidos. Ou seja, o blogueiro está hierarquicamente um nível acima de todos que submetem suas respostas. De toda forma, todas as expressões dos leitores que são publicadas transformam estes últimos em co-autores do texto que é o blog. Por vezes, os comentaristas estabelecem interações conversacionais entre si e eventualmente fogem do assunto proposto pelo post. Essas rupturas ou subversões temáticas não deixam de fazer parte do texto global. Já podemos então problematizar o próprio termo “dono do blog”, tão comum na blogosfera, e até mesmo questionar os limites de seu controle.

Comentários podem incluir reações ao post, propor adendos, novas informações e links. Podem se dirigir ao blogueiro (elogios, ofensas, etc.), a um ou mais comentaristas ou a todos interagentes. Mas, independente de quem sejam os destinatários diretos ou indiretos e se mantém ou não a coerência temática e conversacional, cada comentário é uma expansão do texto do blog. Tais enunciados podem estar em consonância com a intenção inicial do blogueiro ou mesmo mostrarem-se como desvios daquela proposta. Mas revelam outras vozes que contribuem explicitamente na redação do blog. É importante apontar que um comentário pode ressignificar o post, acrescentando nuances ou revelando informações (machistas, por exemplo!) que não eram claras ou até mesmo pretendidas pelo blogueiro. Em outras palavras, a leitura de um comentário pode exigir a releitura/reinterpretação do post original. O próprio blogueiro pode rever seu texto inicial com outros olhos e talvez até sentir-se impelido a manifestar-se no espaço de comentários ou mesmo reeditar o post.

O texto do blog, portanto, é constituído pela produção do blogueiro (incluindo as imagens e vídeos que acrescenta, como também o próprio template, informações e links que circundam o post) e pela participação efetiva de comentaristas. Alguns destes participantes têm participação constante, criando inclusive uma expectativa no grupo de interagentes que já espera por suas reações.

Dito tudo isto, podemos então reconhecer que o texto do post, a unidade mínima do blog, não termina em seu ponto final, mas sim no último comentário publicado. É nesse sentido que o título deste meu post postula: todo blog, mesmo aqueles individuais, é um texto coletivo.

E podemos ir ainda além. Do ponto de vista da Análise do Discurso e do dialogismo de Bakhtin, além das vozes explícitas (do blogueiro, de cada comentarista), outras tantas podem ser ouvidas. Autores de livros, políticos, pais e outras tantas vozes podem ser encontradas em cada post, em cada comentário. E diversos são os discursos que atravessam e condicionam cada fala registrada no banco de dados do blog e em sua interface. Como se vê, o blogueiro não é o marco zero do conteúdo do post. Antes dele, muitos outros falaram e agora são ouvidos através do post/enunciado.

Para que isto não termine por aqui, quero te interpelar: o que você acha disso tudo? :-)

—–

Leitura recomendada: FOUCAULT, Michel. O que é um autor? Lisboa: Vega, 1992.

Veja também este texto que escrevi há alguns anos com Raquel Recuero.

Redknee

quinta-feira, novembro 12th, 2009

A Redknee Inc é uma empresa canadiana que, desde 1999, concebe produtos e soluções inovadoras a partir dos seus escritórios espalhados por nove cidades em vários pontos do globo. Os seus clientes são, essencialmente, empresas de telecomunicação a quem oferecem soluções em tempo real, end-to-end, capazes de cobrir todo o percurso percorrido pelos subscritores.A empresa conta actualmente com cerca de 400 colaboradores no total. Desde há dois anos que alguns deles começaram a utilizar blogs internamente. Estes blogs, que qualquer colaborador pode criar, fazem parte da intranet da empresa assente na plataforma Sharepoint.São os colaboradores mais jovens que mais usam activamente os blogs internos. Apesar disso, reconhecendo a importância deste canal, e a fim de incentivar a sua utilização, o CEO tem dado o exemplo. Ele escreve frequentemente sobre a indústria onde a Redknee opera, sobre os seus produtos, sobre os seus clientes e sobre ele próprio.Desde que foram criados, os blogs têm vindo a registar um crescimento contínuo do número de novos posts. No entanto, o mesmo não acontece com o número de comentários. De acordo com Leena Motwani, consultora na RedKnee Inc. com quem falámos para recolha de informação, o grande desafio com que a empresa se depara é a falta de tempo para comentar posts publicados e para ler os comentários de outros colegas.Ainda assim, a experiência tem sido positiva. Um dos melhores momentos na vida dos blogs organizacionais foi iniciado por um post do CEO. Estavam no final de 2008 e ele resolveu escrever sobre os sucessos e principais feitos da empresa nesse ano. Resolveu também pedir aos colaboradores para comentarem, acrescentando outros feitos que, no entender deles, também merecessem destaque. A lista foi crescendo e tornou-se numa celebração virtual do sucesso da empresa.Para além dos blogs, a Redknee está também a utilizar wikis para partilha de conhecimento.Com base na sua experiência a empresa recomenda a quem se estiver a aventurar nestas áreas para: “vender” a ideia internamente organizar sessões de esclarecimento sobre as ferramentas / tecnologias a utilizar elaborar princípios orientadores sobre a escrita de blogs.

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Princípios Orientadores à Participação em Sites Sociais e à Utilização de Ferramentas Sociais

quarta-feira, outubro 28th, 2009

A participação dos seus colaboradores em redes sociais é vista como um grande risco tanto por organizações públicas como por empresas privadas. Os três riscos geralmente identificados, também aplicados à utilização de ferramentas sociais (e.g. wikis, blogs, chats) no seio da própria organização entre colegas, são:

1. o tempo desperdiçado nessa actividade em horário de trabalho

2. a transmissão, mesmo que involuntária, de informação privada e confidencial da organização

3. danos à imagem da organização devido ao comportamento dos seus colaboradores nessas plataformas públicas.

O primeiro risco é algo que as organizações podem eliminar através da proibição do uso de ferramentas sociais em sites públicos e da não criação / instalação dessas ferramentas dentro da rede informática da organização. Infelizmente, ao eliminar esse risco, estão também a eliminar a possibilidade de beneficiarem de tudo o que de bom a participação nessas redes e a utilização dessas ferramentas pode trazer (ver aqui, aqui e aqui).

O segundo e terceiro riscos, infelizmente, não podem ser eliminados pois as organizações não podem proibir os seus colaboradores de utilizarem as ferramentas no seu tempo livre.

Assim, e ao invés de tentarem eliminar o risco, seria mais inteligente as organizações pensarem na melhor forma de gerir esse risco. E isso inclui encontrar formas de o minimizar.

Uma forma de o fazer é através da criação de guidelines – princípios orientadores e não regras – para utilização dessas ferramentas dentro e fora da organização.

Os princípios orientadores não variam muito de organização para organização. No entanto, a linguagem usada e a ênfase dada a determinados pontos dependerá de acordo com o tipo de organização e de se se tratarem de princípios orientadores para ferramentas específicas ou genéricas, e de ferramentas internas ou públicas.

Assim, e também por uma questão de buy-in dos colaboradores, concordo inteiramente com Patricia Yoshioka da Daiichi Sankyo Brasil que, num comentário no fórum da SBGC defende o envolvimento dos colaboradores na definição e redacção desses princípios orientadores.

Mas porque é sempre bom olhar para o que outros já fizeram e obter alguma inspiração, fica aqui uma pequena lista de princípios orientadores produzidos por alguns sites e organizações.

IBM Social Computing Guidelines

Sun Microsystems Communities: Sun Guidelines on Public Discourse

Wiki guidelines da Libsuccess

Microsoft Office Live Small Business Community: Code of Conduct

Sony Ericsson Developer World

No caso destas últimas, e para o caso de não quererem ouvir o vídeo na íntegra, aqui ficam por escrito:

1. Respeite a opinião dos outros

2. Seja responsável

3. Respeite o tópico

4. Use senso comum

5. Escreva em inglês

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